De todos os amores que já tive
- que não somam, não subtraem e não dividem as minhas dores -
Pude perceber que cada um
Exigiu de mim um eu diferente
Doaram um pouco de si
Roubaram um pouco de mim.
De todos os amores que tive
O que me destes
Foi o que mais me tocou
Me toca
Me alinha
Me renova.
Amor esse tão sereno
Tão repentino quanto intenso
Não quero calcular esse sentimento
Estou disposta a só sentir
Seguindo juntinho nesse embalo
Só quero saber do nosso abraço
E dizer que enfim
Posso falar de amor, sem hesitar, sem resistir.
"Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, actos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos." (Carlos Drummond de Andrade)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Só a poesia salva
Poesia é essa linha tênue
que divide o perene do efêmero
o terreno do aéreo
a vida da imaginação.
Poesia é essa coisa transcendente
que pode ser doce, amarga ou reluzente
que muda a vida da gente.
Poesia pode ser um escrito
ou apenas o olhar sensível
um traço expressivo
que foge de qualquer esquivo.
Poesia é rir de si mesmo
ora forte, ora petulante, ora não relutante
poesia é a língua dos amantes.
O poeta, tá longe de ser um salvador
mas a poesia contém dentro de si
um milagre entre palavras
que liberta o mal de si.
que divide o perene do efêmero
o terreno do aéreo
a vida da imaginação.
Poesia é essa coisa transcendente
que pode ser doce, amarga ou reluzente
que muda a vida da gente.
Poesia pode ser um escrito
ou apenas o olhar sensível
um traço expressivo
que foge de qualquer esquivo.
Poesia é rir de si mesmo
ora forte, ora petulante, ora não relutante
poesia é a língua dos amantes.
O poeta, tá longe de ser um salvador
mas a poesia contém dentro de si
um milagre entre palavras
que liberta o mal de si.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Um dia eu ainda viro poema
Um dia eu ainda me transfiguro,
me transcendo,
me acrescento.
Um dia, depois de tanta peleja
eu esqueça de toda fraqueza
de qualquer incerteza
e talvez floresça.
Um dia, eu desço dessa corda bamba
aprendo a dançar o samba
e perdoe, enfim, o que me cansa.
Um dia, não perco mais a fala,
nem o passo,
e deixo de drama.
Um dia,
em um belo dia
eu ainda atravesso
esse papel
e me transformo
num poema que encanta.
me transcendo,
me acrescento.
Um dia, depois de tanta peleja
eu esqueça de toda fraqueza
de qualquer incerteza
e talvez floresça.
Um dia, eu desço dessa corda bamba
aprendo a dançar o samba
e perdoe, enfim, o que me cansa.
Um dia, não perco mais a fala,
nem o passo,
e deixo de drama.
Um dia,
em um belo dia
eu ainda atravesso
esse papel
e me transformo
num poema que encanta.
Ele não entendia o que ela falava.
Ela, em cada palavra que ouvia
procurava uma sequer, que fosse clara.
E em meio a tanta coisa não dita,
em meio a tanta confusão e tanta briga,
ele e ela, se perderam de vista.
Ele ia continuar com jeito durão,
achando que todo mundo
ia ter que se acostumar, tanto faz, então.
Ela, ia continuar tentando se encontrar, se firmar.
Também não ia desistir de tentar,
é que o coração dela aprendeu a não ter medo de falar.
Mas sinceramente, não importa o fim latente.
As situações falam por si só,
no fim o que vale, é o ponto de vista
sob o qual você analisa as marcas e pistas.
Tempestade em copo d'água
só prolonga sofrimento.
Respire, solte suas penas
e tente acompanhar o vento.
É o que ficou do desalento.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Aflição bem resolvida
Todo dia esta aflição
Combinada com a indecisão
Tá me deixando na contramão
Não quero meu não, nem teu não
Quero apenas os pés no chão
A gravidade não quer me soltar
Me volta, me prende
Me coloca em meu lugar
Antes mesmo que eu me esvaneça
Mas não é com ela
Que eu tenho que me acertar
Nem muito menos ela
Que é quem me faz pirar
É esse tal do gostar
E de ansiar
De questionar
É o vício do entendimento
Que me faz com os ponteiros do relógio
Querer acertar
Mas não faz mal
Isso tudo só serve
Pr'eu poder me alinhar
Enfim, então, respirar
E o que tiver de vir, virá.
Combinada com a indecisão
Tá me deixando na contramão
Não quero meu não, nem teu não
Quero apenas os pés no chão
A gravidade não quer me soltar
Me volta, me prende
Me coloca em meu lugar
Antes mesmo que eu me esvaneça
Mas não é com ela
Que eu tenho que me acertar
Nem muito menos ela
Que é quem me faz pirar
É esse tal do gostar
E de ansiar
De questionar
É o vício do entendimento
Que me faz com os ponteiros do relógio
Querer acertar
Mas não faz mal
Isso tudo só serve
Pr'eu poder me alinhar
Enfim, então, respirar
E o que tiver de vir, virá.
Cena
Sinto muito se não vou conseguir ficar calada e fingir que nada está acontecendo, que nada sinto, que sou esse robô com um ego impenetrável que só quer manter a compostura pra não pagar o parto de ser sentimentalista. Sinto muito, não sou. Desculpa se o que me cabe no momento é jogar todas as minhas visões distorcidas e meus pensamentos emaranhados sob a mesa e suspirar dizendo "eu estou aqui também". Não estou me vitimizando, sempre soube dos meus passos e do que significava cada um deles, ou pelo menos, que eu julgava ter significado.
Minha intenção não é sentenciar nada, não é um veredito, nem perto disso! Pra ser sincera não faço a mínima ideia do que vai ser e nem o que eu vou fazer com o depois. Não sei nem o que eu quero, não sei, e isso me enlouquece também. Porque tudo tem que ser tentativa ou erro, e na maioria das vezes, comigo, é sempre o erro. Mas to aqui, não vou cometer deflexões, nem confluências, e dar uma de cagona fugindo de tudo. Mas a única coisa que eu sei, é o que eu não quero e isso é o bastante pra eu tomar minhas decisões. Por isso, eu acho que o drama vale a cena. Por isso, os espectadores, ansiosos na plateia, que se preparem, que a atriz entrou em cena, e que se pasmem, porque de representação esse drama não tem é nada.
Minha intenção não é sentenciar nada, não é um veredito, nem perto disso! Pra ser sincera não faço a mínima ideia do que vai ser e nem o que eu vou fazer com o depois. Não sei nem o que eu quero, não sei, e isso me enlouquece também. Porque tudo tem que ser tentativa ou erro, e na maioria das vezes, comigo, é sempre o erro. Mas to aqui, não vou cometer deflexões, nem confluências, e dar uma de cagona fugindo de tudo. Mas a única coisa que eu sei, é o que eu não quero e isso é o bastante pra eu tomar minhas decisões. Por isso, eu acho que o drama vale a cena. Por isso, os espectadores, ansiosos na plateia, que se preparem, que a atriz entrou em cena, e que se pasmem, porque de representação esse drama não tem é nada.
Cibele
Cibele é meu codinome
Meu pseudônimo
Minha luta e vergonha
Pela própria profundeza
Cibele gosta de saciar o ego
Sem justificar seu comportamento
Atenta apenas em exercer
As vontades do seu imaginário
Cibele é muito diferente
Da projeção que tento jogar no mundo
Projeção essa que tenta qualificar minha existência
Enquadrar
Revelar
Moldar
Cibele é mais um alter ego
Que entra sem permissão e cerimônia
Não faz questão de ser lembrada
Quer mesmo é ser esquecida
Cibele, mulher bem resolvida
Que só faz questão de ter vida.
Meu pseudônimo
Minha luta e vergonha
Pela própria profundeza
Cibele gosta de saciar o ego
Sem justificar seu comportamento
Atenta apenas em exercer
As vontades do seu imaginário
Cibele é muito diferente
Da projeção que tento jogar no mundo
Projeção essa que tenta qualificar minha existência
Enquadrar
Revelar
Moldar
Cibele é mais um alter ego
Que entra sem permissão e cerimônia
Não faz questão de ser lembrada
Quer mesmo é ser esquecida
Cibele, mulher bem resolvida
Que só faz questão de ter vida.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Pause
Não sei se estou na estaca zero de novo, chegando a conclusão de que não mudei quase nada e de que foi tudo uma fachada pra eu me conformar com as minhas escolhas. Não sei. Só sei e sinto a presença desse sentimento tão conhecido e intimo, como um velho amigo. E ele está cada vez mais próximo e mais intenso. Essa sensação de não saber, não conhecer, não ter certeza, mas só ter cada vez mais e mais esse vício pelo entendimento. Preciso entender, preciso ter controle. Martha Medeiros citou uma vez "não sei amar porque amar prescinde de entendimento e eu sou viciada em entender". E isso se parece muito com a conclusão que eu estou tendo agora.
Cada vez mais não faço a mínima ideia do que eu procuro. Do que eu espero, de mim e das pessoas que me cercam. Não tem muito a ver com aquela questão de que as coisas nunca são suficientes. Não sou esse ser narcisista e insaciável. Me encanto com o simples, com o sincero, com o que me passa verdade. Mas me desabo com o que eu tento racionalizar mas por algum motivo não consigo, principalmente quando é algo que vem de mim mesma. Acho que só sou essa pessoinha que tenta as vezes tomar uma dose de coragem pra tirar aprendizado das coisas, sabe. Que tem sempre essa sensação de que sabe muito pouco, mas desconfia muita coisa e isso parece ser o suficiente pra deixar a minha mente com um turbilhão de pensamentos. Pensamentos contraditórios e insanos. Essa busca pelo entendimento, esse profundo mergulho em um mar de análises e de questionamentos que quase sempre (pelo menos no momento) não dão em nada é o que tem me desestabilizado, me tirado do sério e me fazendo pensar "puxa!!! preciso respirar!".
Talvez o que a gente precisa de vez em quando é se descontrolar mesmo. Só ir acompanhando o ritmo e se entregando aos seus sentidos e intuições, sem ser massacrado por um superego cheio de imposições. Ir, conforme as situações forem surgindo, tentando compreender o que se quer no momento e o que o momento pede de você. Simplesmente deixar fluir, e tentar se afugentar menos no mar do entendimento.
domingo, 21 de setembro de 2014
Incerto
Não sou estrategista
Nem no jogo do amor
Nem na vida
No improviso
eu me viro
me reinvento
e aprendo
Sem determinações
nem precauções
no momento
eu me guio
e entendo
Que ter estratégias
parece o mais correto
mas abrir mão
do poder do incerto
eu não quero.
Nem no jogo do amor
Nem na vida
No improviso
eu me viro
me reinvento
e aprendo
Sem determinações
nem precauções
no momento
eu me guio
e entendo
Que ter estratégias
parece o mais correto
mas abrir mão
do poder do incerto
eu não quero.
Não sou estrategista. Em algum momento da minha vida eu posso até ter tentado ser, mas falhei profundamente. Gosto de fazer planos e montar situações em minha cabeça, pelo simples prazer de imaginar o "e se". Coisa que adoro (mais uma vez dizendo), não nego. Porém, no dia a dia, na vida corrida, na hora h, qualquer manual cria perninhas e sai correndo mundo a fora. Aí aparece a atrapalhada, desprevenida, a maluca do momento que toma a frente em tudo (e se surpreende)... enfim, diversas facetas. Não consigo assumir um papel, criar um personagem, só pra ter tudo milimetricamente calculado. É difícil, é arriscado e sem graça. Prender o impulso de seguir minhas vontades? Perder o melhor da festa? Não consigo. Posso até me sentir meio tola às vezes por não calcular tanto e poder acabar perdendo o final tão esperado. Mas me diz, há garantias? Não há. No momento, me dou por inteiro, me entrego - mesmo não tendo consciência disso - e não perco a chance de descobrir um novo eu. E se as coisas não derem certo, fico chateada, enfrento meu luto, minha vergonha interior, mas a ferida cicatriza e logo logo a vida segue em frente. Com a diferença de que agora, eu tenho mais um aprendizado, mais uma carta na manga, mais uma experiência pra poder comparar, analisar. Não é uma questão de não escolher, nem de seguir o destino. Nada a ver com essas coisas tem o meu discurso. É a questão de não suportar agir como se as pessoas e as coisas fossem manipuláveis ao seu favor, como se o roteiro delas não importasse. O fato de ser fria ao ponto de ignorar o meu lado sensível. Enfim, tudo isso que as pessoas fazem pra terem a ilusão de que têm algum controle sob qualquer coisa. Eu não. Eu apenas vivo e tento viver da melhor forma possível, tentando extrair o melhor de cada situação, respeitando aos outros e principalmente a mim mesma.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo. (Friedrich Nietzsche)
Naquele abraço
Um pouco acanhada
com medos entrelaçados entre os dedos
naquele toque
foi desfeita toda e qualquer hesitação
Beleza pura e simples
me fiz sentir
tanto até
que quis repetir (e não ter fim)
E quando o mundo
paralisado parecia estar
sob aquela coberta delicada
um punhado de coisas eu pude entender
Naquele abraço (entrelaçado)
percebi que é onde eu quero estar
entre beijos, risadas e cuidados
percebi, enfim
que o meu agora, pertence a este moço
e que não quero me importar
com o que virá.
com medos entrelaçados entre os dedos
naquele toque
foi desfeita toda e qualquer hesitação
Beleza pura e simples
me fiz sentir
tanto até
que quis repetir (e não ter fim)
E quando o mundo
paralisado parecia estar
sob aquela coberta delicada
um punhado de coisas eu pude entender
Naquele abraço (entrelaçado)
percebi que é onde eu quero estar
entre beijos, risadas e cuidados
percebi, enfim
que o meu agora, pertence a este moço
e que não quero me importar
com o que virá.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Mixagem
Mistos de sensações
de desejos
de sentimentos
de medos
Confusa, não nego
já não sei o que eu quero
nem o que eu espero
A certeza (que (tal)vez)
eu carregue
é a da continuação
de querer
prosseguir nessa canção
E uma sentença estabeleço
essa canção harmonia deve ter
melodia e letra caminhando juntas
como toda canção deve ser.
de desejos
de sentimentos
de medos
Confusa, não nego
já não sei o que eu quero
nem o que eu espero
A certeza (que (tal)vez)
eu carregue
é a da continuação
de querer
prosseguir nessa canção
E uma sentença estabeleço
essa canção harmonia deve ter
melodia e letra caminhando juntas
como toda canção deve ser.
Autoperdão pela contradição
Acordo de um jeito, levanto com o pé direito, me inspiro pro meu dia, começo a minha rotina... de repente o carrinho da montanha russa oscila um pouco e quando eu percebo (ou não percebo) está tudo ao contrário. Mudo de decisão, decido cortar o cabelo, usar aquela roupa que estava desprezando, acho que ontem mesmo, talvez. Decisões tão pensadas que não duram até o final do dia, quando decido arrumar minha bagunça mental e voltar à minha neutralidade. Então ser mulher é isso? Não sei! Só sei que vivo nessa montanha russa sem controle algum e tento me virar com isto. E me viro... Não sei até quando, mas me viro.
Acho que talvez esse jeito torto de ser, esse malabarismo emocional é o que me faz rir comigo mesma ao final de um dia daqueles! Se deve à naturalidade, essa espontaneidade de viver e não ter medo de mudar de opinião, de re-mudar, abandonar, dizimar o estabelecido. Comigo nada é definitivo. Será que é pra alguém? Duvido muito. Vivemos acostumados com a mudança, com a rotatividade e com a obrigação de nos adaptarmos rapidamente... senão meu caro, ficamos pra trás. Tudo isto nos deixa num verdeiro ritmo frenético, não paramos. Aí nos damos conta da nossa baguncinha diária mental e então o stress começa. O que é considerado desassossego desperta o real desassossego. Mas até que ponto toda esta contradição pode ser considerada saudável? Não faço a mínima ideia. O que presumo, verdadeiramente, é que nós devemos nos dar o direito à mudança, ao agitar das moléculas, ao gasto de milhares de neurônios (coitados!) raciocinando um pouco pra, enfim, por os pingos nos "is". Porque só conhecendo as possibilidades e talvez, arriscando-as, considerando-as, chegamos ao X real da questão.
Gostoso mesmo é o exercício de se reciclar, de se colocar em cheque para tomar as rédeas das situações, e a mudança faz parte disso. A contradição vem da relação de causa e efeito. Queremos o melhor, por isso não sossegamos e quando estamos em fervilhas de ideias não pensamos duas vezes antes de mudar de opinião. Então, o jeito é pedir desculpas a si mesmo pela confusão mental, mas no fundo, dar aquela agradecida por ter movimentado o estático. Por ter tido aquele insight, por ter realizado a mudança da sua vida, por ter perdido completamente a cabeça talvez. E que enfim sejam perdoadas e valorizadas as contradições de nós mesmos.
Acho que talvez esse jeito torto de ser, esse malabarismo emocional é o que me faz rir comigo mesma ao final de um dia daqueles! Se deve à naturalidade, essa espontaneidade de viver e não ter medo de mudar de opinião, de re-mudar, abandonar, dizimar o estabelecido. Comigo nada é definitivo. Será que é pra alguém? Duvido muito. Vivemos acostumados com a mudança, com a rotatividade e com a obrigação de nos adaptarmos rapidamente... senão meu caro, ficamos pra trás. Tudo isto nos deixa num verdeiro ritmo frenético, não paramos. Aí nos damos conta da nossa baguncinha diária mental e então o stress começa. O que é considerado desassossego desperta o real desassossego. Mas até que ponto toda esta contradição pode ser considerada saudável? Não faço a mínima ideia. O que presumo, verdadeiramente, é que nós devemos nos dar o direito à mudança, ao agitar das moléculas, ao gasto de milhares de neurônios (coitados!) raciocinando um pouco pra, enfim, por os pingos nos "is". Porque só conhecendo as possibilidades e talvez, arriscando-as, considerando-as, chegamos ao X real da questão.
Gostoso mesmo é o exercício de se reciclar, de se colocar em cheque para tomar as rédeas das situações, e a mudança faz parte disso. A contradição vem da relação de causa e efeito. Queremos o melhor, por isso não sossegamos e quando estamos em fervilhas de ideias não pensamos duas vezes antes de mudar de opinião. Então, o jeito é pedir desculpas a si mesmo pela confusão mental, mas no fundo, dar aquela agradecida por ter movimentado o estático. Por ter tido aquele insight, por ter realizado a mudança da sua vida, por ter perdido completamente a cabeça talvez. E que enfim sejam perdoadas e valorizadas as contradições de nós mesmos.
Estrada sem pitacos
As vezes os olhares pesam sob as costas
E a gente muda a forma de pensar
Tentando se moldar
mas nesse caminho tortuoso
vem o poder de questionar
onde o nosso ser
começa a se revelar
a gente começa a perceber
que o outro não tem de querer (não há porquê)
e que somos donos de nossa propria estrada
e nela não há lugar para a vontade alheia
e nessa onda de andar com as proprias pernas
é entendida a importância
de não dar a mínima
porque agradando ou não
o que vale é seguir o coração
o possuidor de todos os desejos e anseios.
E a gente muda a forma de pensar
Tentando se moldar
mas nesse caminho tortuoso
vem o poder de questionar
onde o nosso ser
começa a se revelar
a gente começa a perceber
que o outro não tem de querer (não há porquê)
e que somos donos de nossa propria estrada
e nela não há lugar para a vontade alheia
e nessa onda de andar com as proprias pernas
é entendida a importância
de não dar a mínima
porque agradando ou não
o que vale é seguir o coração
o possuidor de todos os desejos e anseios.
domingo, 7 de setembro de 2014
Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer outras coisas. E podemos tentar ficar bem com elas. (As Vantagens de Ser Invisível)
domingo, 31 de agosto de 2014
Sem essa de brincar
Essa situação
E toda essa contradição
Me parece estar complicando
Todos esses jogos
Acusam um relato
De que o dado
Provavelmente está viciado
Aflito, reflito
Com medo, respiro
E te digo, amigo
Espero sair dessa vivo
Entreguei os pontos
Faz até muito tempo
Não aposto mais em jogos
O prazer não vale a dor
Em consciência, concluo
De que estou seguro do que busco
No play não entro pra brincar
Estou cansado de representar
Dessa vida, eu só quero gozar.
E toda essa contradição
Me parece estar complicando
Todos esses jogos
Acusam um relato
De que o dado
Provavelmente está viciado
Aflito, reflito
Com medo, respiro
E te digo, amigo
Espero sair dessa vivo
Entreguei os pontos
Faz até muito tempo
Não aposto mais em jogos
O prazer não vale a dor
Em consciência, concluo
De que estou seguro do que busco
No play não entro pra brincar
Estou cansado de representar
Dessa vida, eu só quero gozar.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Leveza no coração
Para desencanar a solidão
Aprendi que com os caminhos
O aprendizado vira um ninho
O ninho, vira um aconchego
Mas cuidado é preciso ter
Para a conformidade não passar a ter
Mais força do que a vontade de mudar
Porque a beleza se encontra no querer
E o querer movimenta o estático
E assim como as folhas no outono
Tudo faz parte de um processo
É preciso estar preparado
Pro que pode vir a ser
Mas não esperar tanto
Para não se quebrar, e perder
Evitando assim a contramão
Caminhando meio que sem direção
Atento apenas aos passos
E levando tudo num embalo
Coração fica amansado
Enquanto o mundo gira no compasso.
Para desencanar a solidão
Aprendi que com os caminhos
O aprendizado vira um ninho
O ninho, vira um aconchego
Mas cuidado é preciso ter
Para a conformidade não passar a ter
Mais força do que a vontade de mudar
Porque a beleza se encontra no querer
E o querer movimenta o estático
E assim como as folhas no outono
Tudo faz parte de um processo
É preciso estar preparado
Pro que pode vir a ser
Mas não esperar tanto
Para não se quebrar, e perder
Evitando assim a contramão
Caminhando meio que sem direção
Atento apenas aos passos
E levando tudo num embalo
Coração fica amansado
Enquanto o mundo gira no compasso.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
s-e-r
Às vezes chega um momento na vida da gente que a gente se reencontra consigo mesmo. Com o verdadeiro "mesmo". Bem, voltando um poquinho na história, vamos anteceder o momento do reencontro. Há certos acontecimentos na vida que parece que a gente pega um espelho com um zoom monstruoso, ultra megapixalizado, e a gente se enxerga bem de pertinho, vai fundo, quase navega na gente... e a gente não gosta muito do que vê. E então a nossa única alternativa é mudar, ou nos afogar de vez em nós. E a gente escolhe mudar. Mudar um defeitozinho aqui, esticar uma virtude ali, reinventar um jeito assim, ficar de um jeito assado, e de pouquinho em pouquinho a gente fica novinho em folha com os ponteiros nos devidos lugares. E simplesmente continuamos. O zoom diminui um pouco, pra que tanta história de olhar tanto pra si? Autoconhecimento demais limita, diz a lenda. E a vida passa.
Vivemos quase certos de que somos exatamente aquilo que devíamos ser, até que se prove o contrário. E aí vem o reencontro: ponteiros desajustados, zoom e seus megapixels aguçados como nunca. A vista fica um pouco embaraçada, acuidade visual precária; que só aos poucos vai se adaptando ao ambiente... e de repente, "pera aí, reconheço esse lugar" e isso gera um misto de espanto com dúvida e insegurança. Chegou o contrário. "Mudamos?", " Não somos mais quem deveriamos ser?", "O que devemos ser?", "O que somos de verdade?", "E que tanta puta de interrogação é essa?" O caos se instala. E gente fica meio perdido, sabendo o que a gente é, mas sem saber o que fazer disso.
Acho que é por isso que muita gente prefere tanto ter, ter, ter... pra esquecer de s-e-r um pouquinho. Porque ser, é coisa de gente grande, meu amigo. Ser não estaciona, ser é movimento. Ser, nunca se completa. E depois de tantos encontros e reencontros, a gente aprende isso. Viver é estar pronto pros desajustes, pro despertador, pro zoom, pro caos.
E a cada descoberta nova como essa a paz se instala de novo, as interrogações apaziguam e só resta tempo mesmo pra ser, sem se preocupar com mais nada... até que nos provem o contrário de novo. Ninguém nasce coisa, torna-se coisa... e isso é a mais pura e simples liberdade. Nós que de vez em quando nos limitamos mesmo, fazer o quê? Paciência.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
AEQUILIBRIUM, AEQUI igual, LIBRIUM oscilar, oscilar igualmente. Dois pesos na mesma medida sob a balança. Tá aí, a definição de equilíbrio. Sempre me considerei uma pessoa equilibrada, ou que pelo menos tentava ser, sempre tive a busca do equilíbrio como foco, como sempre admirei também quem tem essa característica. Recentemente descobri o Yin Yang, simbolo do Taoismo, uma filosofia chinesa, e essa simbologia basicamente significa opostos complementares, e prega-se que essas forças Yin e Yang regem tudo o que há no universo. O Yin é o lado feminino, é o dia, a quietude, a luz. O Yang é o masculino, o movimento, frio e misterioso como a noite. Cada energia no universo tem dentro de si esses dois polos. Dentro do Yin há um pedacinho do Yang e vice versa, uma analogia a "o mal que há no bem, e o bem que há no mal". Para esta filosofia, o ser que consegue dominar essas duas forças dentro de si, consegue a perfeita harmonia do equilíbrio. A simbologia do opostos complementares, não existe uma força sem a outra, assim também como não há mal pleno e nem bem pleno. São forças que brigam entre si, mas que por essência se sustentam. Enfim, são apenas teorias, mas que exemplificam muito bem essa questão do equilíbrio. Tem os que pensam que o equilíbrio é um lado só, mas de fato, essa ideia não se sustenta.O que fica pra gente é o que vamos tirar disso, a quebra pela busca da perfeição, ter consciência sob suas atitudes e tentar estar sempre pondo sob a balança, se um lado pesar demais... AEQUILIBRIUM. Penso que esta é uma forma de ter paz interior.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
A Autenticidade da Busca
"O caminho é in, não off". Já disse o sábio e amado (pelo menos por mim) Caio Fernando de Abreu. É fato a existência da nossa insistente busca por respostas, alternativas, modelos, e infinitas coisas que perpassam em forma de interrogação na nossa mente. E é fato que a gente busca encontrá-las, mesmo que inconscientemente, mas o engraçado é que temos o ludíbrio de que o que procuramos existe em qualquer lugar do mundo, menos na gente. Como se o caminho de fato fosse vir ao nosso encontro, e não nós, ao encontro dele. Você deve tá se perguntando "mas e a busca por coisas concretas? como ela vai existir 'in', se está completamente 'off'?!". Mas o que eu quero dizer, na verdade, é que a motivação, a intenção real por detrás dessas coisas é que são parte da essência a própria resposta ou o próprio caminho, e que inconvenientemente, quando temos a sensação de que não sabemos o que queremos ou sentimos que estamos perdidos, isso é puramente disfarce da carência de diálogo consigo mesmo. Talvez retrato de uma mente em turbilhões e embaralhada como cartas de baralho sob uma mesa de Poker. Olhar pro "in" precisa de silêncio, de cuidado, de lucidez. Quanto mais temos consciência da origem de nossos desejos e interrogações (e quando digo origem, não quero dizer origem da existência, mas sim intencional. Não de onde vem a busca, mas a qual fonte semi-esgotada ela pertence) mais teremos nitidez nas nossas fundamentações. Quando o nosso caminho vira "off", deixamos portas abertas para adentrarem buscas que não são de fato nossas, e deixamos os nossos "eus" cheios de atitude, de lado. Todo esse falatório, não tem intencionalidade egoísta, mas sim, intencionalidade autêntica. Porque só vamos nos contentar com o que encontrarmos, quando ele tiver mais feição de "in" do que "off".
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Felicidade sem fita métrica
Estamos tão acostumados a nos exaltar com momentos grandiosos que esquecemos de valorizar os pequenos. Talvez por comparações, por fitas métricas que buscam medir uma coisa que não dá pra ser medida. Uma coisa que por essência é simples e pequena, pequena no sentindo de ser frágil. E aí muita gente não se dá conta de que é feliz e fica na sua bolha de angústia, comparando a felicidade do outro com a sua tristeza. Acho que por isso dizem que os mais simples é que são felizes. Toda essa sede por grandiosidade acaba matando a simplicidade da felicidade e para algumas pessoas ela acaba virando mito. Que saibamos valorizar os momentos, grandiosos ou não, apenas por serem momentos, por serem nossos, por estarmos de cara a cara com ele sabendo que ele foi o que a gente quis que ele fosse. Que tenhamos em mente que o pequeno pode ser precioso e ser considerado assim, grandioso. Porque não há fita métrica pra felicidade, pro amor, porque sentimento é infinito e único. É particular. Assim também como não há garantias... Importante mesmo é estar atento ao presente e ao que você tem no momento, até porquê, ele depende de você mais do que qualquer coisa.
A Ciranda de Clarice
Clarice é uma mulher que ainda é menina, uma menina que tenta ser mulher, e também, uma mulher que tenta ser mais menina. Às vezes é como se a falta de clareza misturada com a cegueira do momento fizesse tudo ser mais exaltado. E que agora, nessa transcedência de maturidade, o excesso de clareza tornasse tudo complicado, embora, ainda e cada vez mais verdadeiro. E Clarice fica nessa corda, que balança, balança, mas tem vezes que aparenta mesmo é estar parada. E a ânsia, ah... a bela ânsia de se mostrar ser quem é, de ser para o momento e de o momento ser para ela. Mas Clarice entende. Clarice não só entende, como também se dedica. Se dedica às suas escolhas, ao balançar da corda, ao impulso que gera o acerto. E Clarice se contenta. Se contenta contente com a sua clareza. E assim é a ciranda de Clarice, ela apenas sendo ela, enquanto tudo ao seu redor vai girando em seu compasso.
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