Não sou estrategista
Nem no jogo do amor
Nem na vida
No improviso
eu me viro
me reinvento
e aprendo
Sem determinações
nem precauções
no momento
eu me guio
e entendo
Que ter estratégias
parece o mais correto
mas abrir mão
do poder do incerto
eu não quero.
"Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, actos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos." (Carlos Drummond de Andrade)
domingo, 21 de setembro de 2014
Não sou estrategista. Em algum momento da minha vida eu posso até ter tentado ser, mas falhei profundamente. Gosto de fazer planos e montar situações em minha cabeça, pelo simples prazer de imaginar o "e se". Coisa que adoro (mais uma vez dizendo), não nego. Porém, no dia a dia, na vida corrida, na hora h, qualquer manual cria perninhas e sai correndo mundo a fora. Aí aparece a atrapalhada, desprevenida, a maluca do momento que toma a frente em tudo (e se surpreende)... enfim, diversas facetas. Não consigo assumir um papel, criar um personagem, só pra ter tudo milimetricamente calculado. É difícil, é arriscado e sem graça. Prender o impulso de seguir minhas vontades? Perder o melhor da festa? Não consigo. Posso até me sentir meio tola às vezes por não calcular tanto e poder acabar perdendo o final tão esperado. Mas me diz, há garantias? Não há. No momento, me dou por inteiro, me entrego - mesmo não tendo consciência disso - e não perco a chance de descobrir um novo eu. E se as coisas não derem certo, fico chateada, enfrento meu luto, minha vergonha interior, mas a ferida cicatriza e logo logo a vida segue em frente. Com a diferença de que agora, eu tenho mais um aprendizado, mais uma carta na manga, mais uma experiência pra poder comparar, analisar. Não é uma questão de não escolher, nem de seguir o destino. Nada a ver com essas coisas tem o meu discurso. É a questão de não suportar agir como se as pessoas e as coisas fossem manipuláveis ao seu favor, como se o roteiro delas não importasse. O fato de ser fria ao ponto de ignorar o meu lado sensível. Enfim, tudo isso que as pessoas fazem pra terem a ilusão de que têm algum controle sob qualquer coisa. Eu não. Eu apenas vivo e tento viver da melhor forma possível, tentando extrair o melhor de cada situação, respeitando aos outros e principalmente a mim mesma.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo. (Friedrich Nietzsche)
Naquele abraço
Um pouco acanhada
com medos entrelaçados entre os dedos
naquele toque
foi desfeita toda e qualquer hesitação
Beleza pura e simples
me fiz sentir
tanto até
que quis repetir (e não ter fim)
E quando o mundo
paralisado parecia estar
sob aquela coberta delicada
um punhado de coisas eu pude entender
Naquele abraço (entrelaçado)
percebi que é onde eu quero estar
entre beijos, risadas e cuidados
percebi, enfim
que o meu agora, pertence a este moço
e que não quero me importar
com o que virá.
com medos entrelaçados entre os dedos
naquele toque
foi desfeita toda e qualquer hesitação
Beleza pura e simples
me fiz sentir
tanto até
que quis repetir (e não ter fim)
E quando o mundo
paralisado parecia estar
sob aquela coberta delicada
um punhado de coisas eu pude entender
Naquele abraço (entrelaçado)
percebi que é onde eu quero estar
entre beijos, risadas e cuidados
percebi, enfim
que o meu agora, pertence a este moço
e que não quero me importar
com o que virá.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Mixagem
Mistos de sensações
de desejos
de sentimentos
de medos
Confusa, não nego
já não sei o que eu quero
nem o que eu espero
A certeza (que (tal)vez)
eu carregue
é a da continuação
de querer
prosseguir nessa canção
E uma sentença estabeleço
essa canção harmonia deve ter
melodia e letra caminhando juntas
como toda canção deve ser.
de desejos
de sentimentos
de medos
Confusa, não nego
já não sei o que eu quero
nem o que eu espero
A certeza (que (tal)vez)
eu carregue
é a da continuação
de querer
prosseguir nessa canção
E uma sentença estabeleço
essa canção harmonia deve ter
melodia e letra caminhando juntas
como toda canção deve ser.
Autoperdão pela contradição
Acordo de um jeito, levanto com o pé direito, me inspiro pro meu dia, começo a minha rotina... de repente o carrinho da montanha russa oscila um pouco e quando eu percebo (ou não percebo) está tudo ao contrário. Mudo de decisão, decido cortar o cabelo, usar aquela roupa que estava desprezando, acho que ontem mesmo, talvez. Decisões tão pensadas que não duram até o final do dia, quando decido arrumar minha bagunça mental e voltar à minha neutralidade. Então ser mulher é isso? Não sei! Só sei que vivo nessa montanha russa sem controle algum e tento me virar com isto. E me viro... Não sei até quando, mas me viro.
Acho que talvez esse jeito torto de ser, esse malabarismo emocional é o que me faz rir comigo mesma ao final de um dia daqueles! Se deve à naturalidade, essa espontaneidade de viver e não ter medo de mudar de opinião, de re-mudar, abandonar, dizimar o estabelecido. Comigo nada é definitivo. Será que é pra alguém? Duvido muito. Vivemos acostumados com a mudança, com a rotatividade e com a obrigação de nos adaptarmos rapidamente... senão meu caro, ficamos pra trás. Tudo isto nos deixa num verdeiro ritmo frenético, não paramos. Aí nos damos conta da nossa baguncinha diária mental e então o stress começa. O que é considerado desassossego desperta o real desassossego. Mas até que ponto toda esta contradição pode ser considerada saudável? Não faço a mínima ideia. O que presumo, verdadeiramente, é que nós devemos nos dar o direito à mudança, ao agitar das moléculas, ao gasto de milhares de neurônios (coitados!) raciocinando um pouco pra, enfim, por os pingos nos "is". Porque só conhecendo as possibilidades e talvez, arriscando-as, considerando-as, chegamos ao X real da questão.
Gostoso mesmo é o exercício de se reciclar, de se colocar em cheque para tomar as rédeas das situações, e a mudança faz parte disso. A contradição vem da relação de causa e efeito. Queremos o melhor, por isso não sossegamos e quando estamos em fervilhas de ideias não pensamos duas vezes antes de mudar de opinião. Então, o jeito é pedir desculpas a si mesmo pela confusão mental, mas no fundo, dar aquela agradecida por ter movimentado o estático. Por ter tido aquele insight, por ter realizado a mudança da sua vida, por ter perdido completamente a cabeça talvez. E que enfim sejam perdoadas e valorizadas as contradições de nós mesmos.
Acho que talvez esse jeito torto de ser, esse malabarismo emocional é o que me faz rir comigo mesma ao final de um dia daqueles! Se deve à naturalidade, essa espontaneidade de viver e não ter medo de mudar de opinião, de re-mudar, abandonar, dizimar o estabelecido. Comigo nada é definitivo. Será que é pra alguém? Duvido muito. Vivemos acostumados com a mudança, com a rotatividade e com a obrigação de nos adaptarmos rapidamente... senão meu caro, ficamos pra trás. Tudo isto nos deixa num verdeiro ritmo frenético, não paramos. Aí nos damos conta da nossa baguncinha diária mental e então o stress começa. O que é considerado desassossego desperta o real desassossego. Mas até que ponto toda esta contradição pode ser considerada saudável? Não faço a mínima ideia. O que presumo, verdadeiramente, é que nós devemos nos dar o direito à mudança, ao agitar das moléculas, ao gasto de milhares de neurônios (coitados!) raciocinando um pouco pra, enfim, por os pingos nos "is". Porque só conhecendo as possibilidades e talvez, arriscando-as, considerando-as, chegamos ao X real da questão.
Gostoso mesmo é o exercício de se reciclar, de se colocar em cheque para tomar as rédeas das situações, e a mudança faz parte disso. A contradição vem da relação de causa e efeito. Queremos o melhor, por isso não sossegamos e quando estamos em fervilhas de ideias não pensamos duas vezes antes de mudar de opinião. Então, o jeito é pedir desculpas a si mesmo pela confusão mental, mas no fundo, dar aquela agradecida por ter movimentado o estático. Por ter tido aquele insight, por ter realizado a mudança da sua vida, por ter perdido completamente a cabeça talvez. E que enfim sejam perdoadas e valorizadas as contradições de nós mesmos.
Estrada sem pitacos
As vezes os olhares pesam sob as costas
E a gente muda a forma de pensar
Tentando se moldar
mas nesse caminho tortuoso
vem o poder de questionar
onde o nosso ser
começa a se revelar
a gente começa a perceber
que o outro não tem de querer (não há porquê)
e que somos donos de nossa propria estrada
e nela não há lugar para a vontade alheia
e nessa onda de andar com as proprias pernas
é entendida a importância
de não dar a mínima
porque agradando ou não
o que vale é seguir o coração
o possuidor de todos os desejos e anseios.
E a gente muda a forma de pensar
Tentando se moldar
mas nesse caminho tortuoso
vem o poder de questionar
onde o nosso ser
começa a se revelar
a gente começa a perceber
que o outro não tem de querer (não há porquê)
e que somos donos de nossa propria estrada
e nela não há lugar para a vontade alheia
e nessa onda de andar com as proprias pernas
é entendida a importância
de não dar a mínima
porque agradando ou não
o que vale é seguir o coração
o possuidor de todos os desejos e anseios.
domingo, 7 de setembro de 2014
Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer outras coisas. E podemos tentar ficar bem com elas. (As Vantagens de Ser Invisível)
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