A falta
O doce
A amargura
Me faz pensar
Em uma cura
Desta obscura
Falta de entrega
Estando sempre perplexa
Com esta
Sensação de inércia.
"Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, actos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos." (Carlos Drummond de Andrade)
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Aflição bem resolvida
Todo dia esta aflição
Combinada com a indecisão
Tá me deixando na contramão
Não quero meu não, nem teu não
Quero apenas os pés no chão
A gravidade não quer me soltar
Me volta, me prende
Me coloca em meu lugar
Antes mesmo que eu me esvaneça
Mas não é com ela
Que eu tenho que me acertar
Nem muito menos ela
Que é quem me faz pirar
É esse tal do gostar
E de ansiar
De questionar
É o vício do entendimento
Que me faz com os ponteiros do relógio
Querer acertar
Mas não faz mal
Isso tudo só serve
Pr'eu poder me alinhar
Enfim, então, respirar
E o que tiver de vir, virá.
Combinada com a indecisão
Tá me deixando na contramão
Não quero meu não, nem teu não
Quero apenas os pés no chão
A gravidade não quer me soltar
Me volta, me prende
Me coloca em meu lugar
Antes mesmo que eu me esvaneça
Mas não é com ela
Que eu tenho que me acertar
Nem muito menos ela
Que é quem me faz pirar
É esse tal do gostar
E de ansiar
De questionar
É o vício do entendimento
Que me faz com os ponteiros do relógio
Querer acertar
Mas não faz mal
Isso tudo só serve
Pr'eu poder me alinhar
Enfim, então, respirar
E o que tiver de vir, virá.
Cena
Sinto muito se não vou conseguir ficar calada e fingir que nada está acontecendo, que nada sinto, que sou esse robô com um ego impenetrável que só quer manter a compostura pra não pagar o parto de ser sentimentalista. Sinto muito, não sou. Desculpa se o que me cabe no momento é jogar todas as minhas visões distorcidas e meus pensamentos emaranhados sob a mesa e suspirar dizendo "eu estou aqui também". Não estou me vitimizando, sempre soube dos meus passos e do que significava cada um deles, ou pelo menos, que eu julgava ter significado.
Minha intenção não é sentenciar nada, não é um veredito, nem perto disso! Pra ser sincera não faço a mínima ideia do que vai ser e nem o que eu vou fazer com o depois. Não sei nem o que eu quero, não sei, e isso me enlouquece também. Porque tudo tem que ser tentativa ou erro, e na maioria das vezes, comigo, é sempre o erro. Mas to aqui, não vou cometer deflexões, nem confluências, e dar uma de cagona fugindo de tudo. Mas a única coisa que eu sei, é o que eu não quero e isso é o bastante pra eu tomar minhas decisões. Por isso, eu acho que o drama vale a cena. Por isso, os espectadores, ansiosos na plateia, que se preparem, que a atriz entrou em cena, e que se pasmem, porque de representação esse drama não tem é nada.
Minha intenção não é sentenciar nada, não é um veredito, nem perto disso! Pra ser sincera não faço a mínima ideia do que vai ser e nem o que eu vou fazer com o depois. Não sei nem o que eu quero, não sei, e isso me enlouquece também. Porque tudo tem que ser tentativa ou erro, e na maioria das vezes, comigo, é sempre o erro. Mas to aqui, não vou cometer deflexões, nem confluências, e dar uma de cagona fugindo de tudo. Mas a única coisa que eu sei, é o que eu não quero e isso é o bastante pra eu tomar minhas decisões. Por isso, eu acho que o drama vale a cena. Por isso, os espectadores, ansiosos na plateia, que se preparem, que a atriz entrou em cena, e que se pasmem, porque de representação esse drama não tem é nada.
Cibele
Cibele é meu codinome
Meu pseudônimo
Minha luta e vergonha
Pela própria profundeza
Cibele gosta de saciar o ego
Sem justificar seu comportamento
Atenta apenas em exercer
As vontades do seu imaginário
Cibele é muito diferente
Da projeção que tento jogar no mundo
Projeção essa que tenta qualificar minha existência
Enquadrar
Revelar
Moldar
Cibele é mais um alter ego
Que entra sem permissão e cerimônia
Não faz questão de ser lembrada
Quer mesmo é ser esquecida
Cibele, mulher bem resolvida
Que só faz questão de ter vida.
Meu pseudônimo
Minha luta e vergonha
Pela própria profundeza
Cibele gosta de saciar o ego
Sem justificar seu comportamento
Atenta apenas em exercer
As vontades do seu imaginário
Cibele é muito diferente
Da projeção que tento jogar no mundo
Projeção essa que tenta qualificar minha existência
Enquadrar
Revelar
Moldar
Cibele é mais um alter ego
Que entra sem permissão e cerimônia
Não faz questão de ser lembrada
Quer mesmo é ser esquecida
Cibele, mulher bem resolvida
Que só faz questão de ter vida.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Pause
Não sei se estou na estaca zero de novo, chegando a conclusão de que não mudei quase nada e de que foi tudo uma fachada pra eu me conformar com as minhas escolhas. Não sei. Só sei e sinto a presença desse sentimento tão conhecido e intimo, como um velho amigo. E ele está cada vez mais próximo e mais intenso. Essa sensação de não saber, não conhecer, não ter certeza, mas só ter cada vez mais e mais esse vício pelo entendimento. Preciso entender, preciso ter controle. Martha Medeiros citou uma vez "não sei amar porque amar prescinde de entendimento e eu sou viciada em entender". E isso se parece muito com a conclusão que eu estou tendo agora.
Cada vez mais não faço a mínima ideia do que eu procuro. Do que eu espero, de mim e das pessoas que me cercam. Não tem muito a ver com aquela questão de que as coisas nunca são suficientes. Não sou esse ser narcisista e insaciável. Me encanto com o simples, com o sincero, com o que me passa verdade. Mas me desabo com o que eu tento racionalizar mas por algum motivo não consigo, principalmente quando é algo que vem de mim mesma. Acho que só sou essa pessoinha que tenta as vezes tomar uma dose de coragem pra tirar aprendizado das coisas, sabe. Que tem sempre essa sensação de que sabe muito pouco, mas desconfia muita coisa e isso parece ser o suficiente pra deixar a minha mente com um turbilhão de pensamentos. Pensamentos contraditórios e insanos. Essa busca pelo entendimento, esse profundo mergulho em um mar de análises e de questionamentos que quase sempre (pelo menos no momento) não dão em nada é o que tem me desestabilizado, me tirado do sério e me fazendo pensar "puxa!!! preciso respirar!".
Talvez o que a gente precisa de vez em quando é se descontrolar mesmo. Só ir acompanhando o ritmo e se entregando aos seus sentidos e intuições, sem ser massacrado por um superego cheio de imposições. Ir, conforme as situações forem surgindo, tentando compreender o que se quer no momento e o que o momento pede de você. Simplesmente deixar fluir, e tentar se afugentar menos no mar do entendimento.
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