segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Me deixe mulherir

Eu quero a força de uma mulher.
A ligeireza contáveis sob as rugas,
A valentia e a coragem que se afugentam da vista
De um corpo fértil, frágil e que possui armadura de flor,
Mas que por essência é fortaleza.
É fortaleza, se fortalece.
Não se abate, não se desencoraja.
A cada nascer do sol, ela renasce junto.


Delicadeza intrínseca, sábia.
Traz valor a tudo que toca.
Eu quero o dom de uma mulher,
que faz matemática com sentimento,
que vê o justo,
mulher que é ímpar de coração.

Eu quero a dualidade de uma mulher,
que se faz sol e lua, chuva, tempestade e depois floresce.
E que como a natureza, não para,
porque seu ciclo se faz substância,
sobrevivência e vitalidade.

Mulher que é fogo,
caminha sobre a terra,
sucumbe pelo ar,
carrega em seu passo
a potência milenar.

Bruxa,
bela,
puta,
guerreira,
ingênua,
doce,
hostil,
neurótica,
sem sal,
grosseira,
estúpida,
formosa,
vazia
delirante,
zen.

As faces podem se confundir, fundirem entre si,
mas a incumbência é a mesma,
ser mulher, tornar-se mulher, desassossegar, existir.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

360º

A mansidão veio a cessar
Da certeza à duvida
Alvoroço foi somente o esboço
Do que o giro
Tinha como intento
Conflagrar;

O tato passou a pairar
Flutuei na atmosfera
Não consigo visualizar
O ponto de partida, a origem
Perdida nessa poeira
Que cega e vislumbra a vista
Nesse giro de 360º
Não sei se retorno ao ponto inicial.