Essa situação
E toda essa contradição
Me parece estar complicando
Todos esses jogos
Acusam um relato
De que o dado
Provavelmente está viciado
Aflito, reflito
Com medo, respiro
E te digo, amigo
Espero sair dessa vivo
Entreguei os pontos
Faz até muito tempo
Não aposto mais em jogos
O prazer não vale a dor
Em consciência, concluo
De que estou seguro do que busco
No play não entro pra brincar
Estou cansado de representar
Dessa vida, eu só quero gozar.
"Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, actos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos." (Carlos Drummond de Andrade)
domingo, 31 de agosto de 2014
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Leveza no coração
Para desencanar a solidão
Aprendi que com os caminhos
O aprendizado vira um ninho
O ninho, vira um aconchego
Mas cuidado é preciso ter
Para a conformidade não passar a ter
Mais força do que a vontade de mudar
Porque a beleza se encontra no querer
E o querer movimenta o estático
E assim como as folhas no outono
Tudo faz parte de um processo
É preciso estar preparado
Pro que pode vir a ser
Mas não esperar tanto
Para não se quebrar, e perder
Evitando assim a contramão
Caminhando meio que sem direção
Atento apenas aos passos
E levando tudo num embalo
Coração fica amansado
Enquanto o mundo gira no compasso.
Para desencanar a solidão
Aprendi que com os caminhos
O aprendizado vira um ninho
O ninho, vira um aconchego
Mas cuidado é preciso ter
Para a conformidade não passar a ter
Mais força do que a vontade de mudar
Porque a beleza se encontra no querer
E o querer movimenta o estático
E assim como as folhas no outono
Tudo faz parte de um processo
É preciso estar preparado
Pro que pode vir a ser
Mas não esperar tanto
Para não se quebrar, e perder
Evitando assim a contramão
Caminhando meio que sem direção
Atento apenas aos passos
E levando tudo num embalo
Coração fica amansado
Enquanto o mundo gira no compasso.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
s-e-r
Às vezes chega um momento na vida da gente que a gente se reencontra consigo mesmo. Com o verdadeiro "mesmo". Bem, voltando um poquinho na história, vamos anteceder o momento do reencontro. Há certos acontecimentos na vida que parece que a gente pega um espelho com um zoom monstruoso, ultra megapixalizado, e a gente se enxerga bem de pertinho, vai fundo, quase navega na gente... e a gente não gosta muito do que vê. E então a nossa única alternativa é mudar, ou nos afogar de vez em nós. E a gente escolhe mudar. Mudar um defeitozinho aqui, esticar uma virtude ali, reinventar um jeito assim, ficar de um jeito assado, e de pouquinho em pouquinho a gente fica novinho em folha com os ponteiros nos devidos lugares. E simplesmente continuamos. O zoom diminui um pouco, pra que tanta história de olhar tanto pra si? Autoconhecimento demais limita, diz a lenda. E a vida passa.
Vivemos quase certos de que somos exatamente aquilo que devíamos ser, até que se prove o contrário. E aí vem o reencontro: ponteiros desajustados, zoom e seus megapixels aguçados como nunca. A vista fica um pouco embaraçada, acuidade visual precária; que só aos poucos vai se adaptando ao ambiente... e de repente, "pera aí, reconheço esse lugar" e isso gera um misto de espanto com dúvida e insegurança. Chegou o contrário. "Mudamos?", " Não somos mais quem deveriamos ser?", "O que devemos ser?", "O que somos de verdade?", "E que tanta puta de interrogação é essa?" O caos se instala. E gente fica meio perdido, sabendo o que a gente é, mas sem saber o que fazer disso.
Acho que é por isso que muita gente prefere tanto ter, ter, ter... pra esquecer de s-e-r um pouquinho. Porque ser, é coisa de gente grande, meu amigo. Ser não estaciona, ser é movimento. Ser, nunca se completa. E depois de tantos encontros e reencontros, a gente aprende isso. Viver é estar pronto pros desajustes, pro despertador, pro zoom, pro caos.
E a cada descoberta nova como essa a paz se instala de novo, as interrogações apaziguam e só resta tempo mesmo pra ser, sem se preocupar com mais nada... até que nos provem o contrário de novo. Ninguém nasce coisa, torna-se coisa... e isso é a mais pura e simples liberdade. Nós que de vez em quando nos limitamos mesmo, fazer o quê? Paciência.
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