domingo, 31 de agosto de 2014

Sem essa de brincar

Essa situação
E toda essa contradição
Me parece estar complicando

Todos esses jogos
Acusam um relato
De que o dado
Provavelmente está viciado

Aflito, reflito
Com medo, respiro
E te digo, amigo
Espero sair dessa vivo

Entreguei os pontos
Faz até muito tempo
Não aposto mais em jogos
O prazer não vale a dor

Em consciência, concluo
De que estou seguro do que busco
No play não entro pra brincar
Estou cansado de representar
Dessa vida, eu só quero gozar.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Leveza no coração
Para desencanar a solidão
Aprendi que com os caminhos
O aprendizado vira um ninho
O ninho, vira um aconchego

Mas cuidado é preciso ter
Para a conformidade não passar a ter
Mais força do que a vontade de mudar
Porque a beleza se encontra no querer
E o querer movimenta o estático

E assim como as folhas no outono
Tudo faz parte de um processo
É preciso estar preparado
Pro que pode vir a ser
Mas não esperar tanto
Para não se quebrar, e perder

Evitando assim a contramão
Caminhando meio que sem direção
Atento apenas aos passos
E levando tudo num embalo
Coração fica amansado
Enquanto o mundo gira no compasso.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

s-e-r

Às vezes chega um momento na vida da gente que a gente se reencontra consigo mesmo. Com o verdadeiro "mesmo". Bem, voltando um poquinho na história, vamos anteceder o momento do reencontro. Há certos acontecimentos na vida que parece que a gente pega um espelho com um zoom monstruoso, ultra megapixalizado, e a gente se enxerga bem de pertinho, vai fundo, quase navega na gente... e a gente não gosta muito do que vê. E então a nossa única alternativa é mudar, ou nos afogar de vez em nós. E a gente escolhe mudar. Mudar um defeitozinho aqui, esticar uma virtude ali, reinventar um jeito assim, ficar de um jeito assado, e de pouquinho em pouquinho a gente fica novinho em folha com os ponteiros nos devidos lugares. E simplesmente continuamos. O zoom diminui um pouco, pra que tanta história de olhar tanto pra si? Autoconhecimento demais limita, diz a lenda. E a vida passa. 
Vivemos quase certos de que somos exatamente aquilo que devíamos ser, até que se prove o contrário. E aí vem o reencontro: ponteiros desajustados, zoom e seus megapixels aguçados como nunca. A vista fica um pouco embaraçada, acuidade visual precária; que só aos poucos vai se adaptando ao ambiente... e de repente, "pera aí, reconheço esse lugar" e isso gera um misto de espanto com dúvida e insegurança. Chegou o contrário. "Mudamos?", " Não somos mais quem deveriamos ser?",  "O que devemos ser?",  "O que somos de verdade?",  "E que tanta puta de interrogação é essa?" O caos se instala. E gente fica meio perdido, sabendo o que a gente é, mas sem saber o que fazer disso. 
Acho que é por isso que muita gente prefere tanto ter, ter, ter... pra esquecer de s-e-r um pouquinho. Porque ser, é coisa de gente grande, meu amigo. Ser não estaciona, ser é movimento. Ser, nunca se completa. E depois de tantos encontros e reencontros, a gente aprende isso. Viver é estar pronto pros desajustes, pro despertador, pro zoom, pro caos. 
E a cada descoberta nova como essa a paz se instala de novo, as interrogações apaziguam e só resta tempo mesmo pra ser, sem se preocupar com mais nada... até que nos provem o contrário de novo. Ninguém nasce coisa, torna-se coisa... e isso é a mais pura e simples liberdade. Nós que de vez em quando nos limitamos mesmo, fazer o quê? Paciência.