quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Autenticidade da Busca

"O caminho é in, não off". Já disse o sábio e amado (pelo menos por mim) Caio Fernando de Abreu. É fato a existência da nossa insistente busca por respostas, alternativas, modelos, e infinitas coisas que perpassam em forma de interrogação na nossa mente. E é fato que a gente busca encontrá-las, mesmo que inconscientemente, mas o engraçado é que temos o ludíbrio de que o que procuramos existe em qualquer lugar do mundo, menos na gente. Como se o caminho de fato fosse vir ao nosso encontro, e não nós, ao encontro dele. Você deve tá se perguntando "mas e a busca por coisas concretas? como ela vai existir 'in', se está completamente 'off'?!". Mas o que eu quero dizer, na verdade, é que a motivação, a intenção real por detrás dessas coisas é que são parte da essência a própria resposta ou o próprio caminho, e que inconvenientemente, quando temos a sensação de que não sabemos o que queremos ou sentimos que estamos perdidos, isso é puramente disfarce da carência de diálogo consigo mesmo. Talvez retrato de uma mente em turbilhões e embaralhada como cartas de baralho sob uma mesa de Poker. Olhar pro "in" precisa de silêncio, de cuidado, de lucidez. Quanto mais temos consciência da origem de nossos desejos e interrogações (e quando digo origem, não quero dizer origem da existência, mas sim intencional. Não de onde vem a busca, mas  a qual fonte semi-esgotada ela pertence) mais teremos nitidez nas nossas fundamentações. Quando o nosso caminho vira "off", deixamos portas abertas para adentrarem buscas que não são de fato nossas, e deixamos os nossos "eus" cheios de atitude, de lado. Todo esse falatório, não tem intencionalidade egoísta, mas sim, intencionalidade autêntica. Porque só vamos nos contentar com o que encontrarmos, quando ele tiver mais feição de "in" do que "off".

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Felicidade sem fita métrica

Estamos tão acostumados a nos exaltar com momentos grandiosos que esquecemos de valorizar os pequenos. Talvez por comparações, por fitas métricas que buscam medir uma coisa que não dá pra ser medida. Uma coisa que por essência é simples e pequena, pequena no sentindo de ser frágil. E aí muita gente não se dá conta de que é feliz e fica na sua bolha de angústia, comparando a felicidade do outro com a sua tristeza. Acho que por isso dizem que os mais simples é que são felizes. Toda essa sede por grandiosidade acaba matando a simplicidade da felicidade e para algumas pessoas ela acaba virando mito. Que saibamos valorizar os momentos, grandiosos ou não, apenas por serem momentos, por serem nossos, por estarmos de cara a cara com ele sabendo que ele foi o que a gente quis que ele fosse. Que tenhamos em mente que o pequeno pode ser precioso e ser considerado assim, grandioso. Porque não há fita métrica pra felicidade, pro amor, porque sentimento é infinito e único. É particular. Assim também como não há garantias... Importante mesmo é estar atento ao presente e ao que você tem no momento, até porquê, ele depende de você mais do que qualquer coisa.

A Ciranda de Clarice


Clarice é uma mulher que ainda é menina, uma menina que tenta ser mulher, e também, uma mulher que tenta ser mais menina. Às vezes é como se a falta de clareza misturada com a cegueira do momento fizesse tudo ser mais exaltado. E que agora, nessa transcedência de maturidade, o excesso de clareza tornasse tudo complicado, embora, ainda e cada vez mais verdadeiro. E Clarice fica nessa corda, que balança, balança, mas tem vezes que aparenta mesmo é estar parada. E a ânsia, ah... a bela ânsia de se mostrar ser quem é, de ser para o momento e de o momento ser para ela. Mas Clarice entende. Clarice não só entende, como também se dedica. Se dedica às suas escolhas, ao balançar da corda, ao impulso que gera o acerto. E Clarice se contenta. Se contenta contente com a sua clareza. E assim é a ciranda de Clarice, ela apenas sendo ela, enquanto tudo ao seu redor vai girando em seu compasso.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Apesar de, eu sobrevivo.
Apesar de, eu sorrio.
Apesar de, eu te espero.
Apesar de, eu canto.
Apesar dos (meus, mil, diversos) apesares, estou lutando.
Apesar de não saber contra o que, eu vou lutar.
Apesar de, apesar, à pesar.