"Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, actos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos." (Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 25 de junho de 2014
A Ciranda de Clarice
Clarice é uma mulher que ainda é menina, uma menina que tenta ser mulher, e também, uma mulher que tenta ser mais menina. Às vezes é como se a falta de clareza misturada com a cegueira do momento fizesse tudo ser mais exaltado. E que agora, nessa transcedência de maturidade, o excesso de clareza tornasse tudo complicado, embora, ainda e cada vez mais verdadeiro. E Clarice fica nessa corda, que balança, balança, mas tem vezes que aparenta mesmo é estar parada. E a ânsia, ah... a bela ânsia de se mostrar ser quem é, de ser para o momento e de o momento ser para ela. Mas Clarice entende. Clarice não só entende, como também se dedica. Se dedica às suas escolhas, ao balançar da corda, ao impulso que gera o acerto. E Clarice se contenta. Se contenta contente com a sua clareza. E assim é a ciranda de Clarice, ela apenas sendo ela, enquanto tudo ao seu redor vai girando em seu compasso.
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