quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Árvore da Vida

Nas minhas raízes
encontram-se fincados
os mais singelos momentos,
lembranças e esquecimentos,
que retornam e encontram a mim como um signo.

Minhas folhas se esgueiram pelos galhos
esquivam-se do cascalho que vem com o vento,
se prendem a mim num ímpeto particular
ao mesmo tempo que se elevam aos céus,
aos seus azuis, cinzas, nublados, claros,
admirando a perfeição que a mim falta.

Essa árvore está na minha estrada,
na minha alma, corpo, na pele que fala.
É dela o valor de minha permanência no mundo,
me faz brotar mesmo entre as névoas do escuro,
seja no limbo, orla, império ou santuário,
ela me firma no chão dando significado
ao simplório feito que é andar no mundo
sob meus próprios pés.

A chuva leva consigo todos os pesos.
O sol vigoriza as vísceras, tira a podridão do caule, leva com a poeira,
podridão a qual me vulnerabiliza e põe-me em estático desalinho.
O luar traz consigo a imensidão fortaleza do feminino,
me empodera inspiradoramente
a ser genuinamente o eu que vislumbro no profundo côncavo de (r)existir .

E o dia com o seu clarear, sim, o dia...
Traz consigo o possível fruto
de florescer (crescer) sem avexamento.
Só quer trazer o silêncio,
de um pássaro que canta por cantar.

Pureza, beleza, encanto, leveza...
Fazem parte da natureza
fertilizam minh'alma, minh'árvore, minha destreza.
E produzem consigo uma atmosfera harmonicamente benevolente
Capaz de elevar qualquer presente.

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