É muito doloroso temer a própria felicidade, porque ela é tóxica, pura mania
Suga qualquer vitalidade saber quem em um único mês, você vai oscilar entre
ficar na cama a semana toda, trancada no quarto, se sentindo um lixo
e na outra semana se sentir a pessoa mais especial do mundo, com uma missão
de vida, fazer mil e um projetos (que quase nunca são cumpridos) e agir de
forma inconsequente.
A ansiedade assusta, quando ela chega a paranoia costuma vir junto,
isso porque, após o primeiro surto catastrófico, você faz de tudo
para não acontecer de novo.
Parece que você nunca está bem, você não se sente seguro
a estabilidade as vezes é uma mera ilusão.
E quando você está no auge da felicidade, você tem que dar
uma segurada, porque ela parece psicose pura.
Se inspirar, se deslumbrar
é saber que esses conteúdos podem ser o foco do próximo surto.
É querer tomar a medicação mais do que o necessário para o dia,
porque seu corpo parece estar sofrendo um terremoto por dentro.
E você tem medo.
É sentir de familiares e amigos aquele olhar repreensivo
quando você se empolga além da conta com alguma coisa.
E ter que ouvir a repetitiva pergunta: tomou o remédio hoje??
É se sentir agradecida, por cada cartela da medicação finalizada,
um sinal de que a adesão ao tratamento está contínua.
E ao adentrar um hospital, você se lembra do primeiro internamento,
o que te faz reviver tudo de novo, mas traz a tona a sensação de ter superado
esta etapa.
É passar mal praticamente todos os dias, porque você entra em um estado de ansiedade,
muitas vezes intenso, por qualquer coisa.
Mas mesmo assim,
poder se olhar no espelho todos os dias e se surpreender com sua força.
E se sentir grande, guerreira, por conseguir superar isso diariamente.
Se sentir grata por ter pessoas ao seu redor que cuidam e se importam com você,
mesmo quando o seus trejeitos possam as afastar, por ventura.
E se dar ao luxo de se divertir de vez em quando com algumas estórias e experiências que são lhe proporcionadas pelo estado de mania.
E aprender um pouco que: viver um dia de cada vez, fortalecer o espírito, cultivar bons hábitos,
fazer terapia, estabelecer uma rotina e manter o tratamento, é a melhor receita para uma vida menos conturbada.
E que encarar o processo como seu inimigo, só dificulta as coisas. A aceitação ajuda a crescer.
E principalmente a se perdoar. Ter consciência desse auto-perdão ajuda a manter uma boa relação com você mesmo.
E lembrar sempre: antes da bipolaridade, existe você.
Mesmo com toda a bagunça,
você é um sobrevivente de si mesmo.
E que isso é apenas a arte de viver e transcender.
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